29th Jul2011

“Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”
Clarice Lispector

“A simplicidade é o último grau de sofisticação”
Leonardo da Vinci

“A mais importante ferramenta do físico é sua cesta de lixo
Albert Einstein

 

Vimos na primeira parte deste papo, que a UX é fator importantíssimo para a sobrevivência das empresas no mundo moderno, principalmente no universo online.

Agora desvendaremos um pouco dos elementos que compõem e colaboram para a garantia de uma boa experiência.

The User Experience Wheel

Avaliação Heurística

É uma ferramenta da engenharia de usabilidade (especialidade do Jakob Nielsen) que permite compreender o nível de experiência que a sua aplicação ou site oferece atualmente. É possível cobrir cerca de 85% dos problemas de usabilidade com esta avaliação e, portanto, torna-se um ótimo caminho para iniciar o processo de evolução da experiência do usuário.

Testes de Usabilidade

É basicamente o processo de avaliar o usuário simulando sua atividade in loco. A idéia é levantar diversos dados como ações, comentários e percepções do usuário durante a utilização da ferramenta em avaliação. A determinação de padrões de uso é o foco principal deste tipo de teste e, para tanto, o mesmo Jakob, defende que não é necessário um teste com mais do que 5 usuários (“Why you only need to test with five users” – Alertbox – 2002).

Copywriting

Forrester Research, descobriu que cerca de 75% dos consumidores escolhem retornar a um determinado website em função da qualidade do seu conteúdo. Isso , no entanto, requer o entendimento de que o meio pelo qual a informação se propaga interfere diretamente no modo como ela é compreendida. De nada adianta disponibilizar, por exemplo, todo o conteúdo da enciclopédia britânica transcrito diretamente para o site, quando as necessidades físicas e mentais dos usuários na web e no mundo real diferem drasticamente. Não é à toa que a Wikipédia faz tanto sucesso!

Neste quesito então, dois são os segredos básicos:

1)     O conteúdo tem de ser relevante;

2)     O conteúdo tem de estar adaptado ao meio de transmissão (web, smartphones, tablets, etc.)

Arquitetura da Informação

É a principal responsável pela estruturação do conteúdo a ser disponibilizado. Desde a estratégia de entrega do conteúdo até as nomenclaturas utilizadas e seus posicionamentos. No livro ‘Information Architecture for the World Wide Web’ os autores Peter Morville e Louis Rosenfeld, dividem a disciplina em alguns sistemas:

1)     Sistema de Organização: separa o conteúdo e o organiza em áreas de acordo com princípios estabelecidos pela sua estratégia de disponibilização;

2)     Sistema de Navegação: responsável pelas relações entre as determinadas áreas do site ou aplicativo de modo a facilitar a ‘encontrabilidade’ do conteúdo através do ‘browsing’;

3)     Sistema de Nomenclatura: responsável pela taxonomia utilizada no site, que deve estar sempre de acordo com o léxico específico do público para o qual o conteúdo é concebido;

4)     Sistema de Busca: este sistema não é unânime e outros autores o mantém de fora desta disciplina, mas trata-se, basicamente, da organização de tageamentos e palavras chave na construção do sistema de pesquisa do conteúdo e os modos de disponibilização ao público. Trata da determinação de relevâncias e valores e compreensão da intenção do usuário ao procurar determinado termo e na montagem da entrega dos resultados.

Design de Interface

Muito embora não seja percebido desta forma, é muito mais do que conferir soluções estéticas ao trabalho do arquiteto da informação. Composição e layout, tipografia, imagens, tratamentos de tipos, espaços em branco, respiros, cores e resoluções de tela, renderizações distintas nos diversos browsers, responsividade são elementos que suportam a clara percepção e leitura do conteúdo e interferem na relação com o leitor. Pode-se definir duas frentes de trabalho distintas: o User Interface designer e o desenvolvedor ClientSide.

1)     User Interface Designer: é o cara responsável pela escolha da tipografia, paleta de cores, diagramação, interações, respostas e transições e garantir a compreensão das hierarquias de informação, elementos gráficos adequados e metáforas. É o responsável direto pela compatibilidade cross-plataforma, ou seja, a experiência que deve ser otimizada independente do dispositivo em questão. Precisa conhecer profundamente o conteúdo, o público alvo e o meio de transmissão da mensagem.

2)     Desenvolvedor ClientSide: No ‘backend’, a otimização de gráficos, e claros e elegantes códigos significa maior responsividade no uso da aplicação. É preciso entender os padrões utilizados na web, participa diretamente nas otimizações de Search Engines (SEO) e, o mais importante, é o cara que vai garantir a unidade na experiência no crossbrowser, ou seja, nas diferentes interpretações dos renderizadores dos navegadores disponíveis no mercado.

 

Baseado na lista da Witney Hess, uma Experience Designer de Nova Iorque, user experience design NÃO é:

1)     User Interface (UI) Design, muito embora a nomenclatura seja parecida. A UI design é parte do processo mais abrangente de UX design.

2)     Um passo no processo: UX Design é, na verdade, o processo em si.

3)     Sobre tecnologia. É sobre as relações entre as pessoas e as coisas com as quais elas interagem.

4)     Usabilidade. Assim como UI Design, a usabilidade é uma das disciplinas que definem a UX Design.

5)     Um culto ao usuário. Essa é uma das questões mais importantes! O verdadeiro UX designer é capaz de conciliar as necessidades do usuário com as do negócio em si. De nada adiante ter clientes satisfeitos a um custo que gere prejuízos para a empresa.

6)     Caro. É possível fazer pequenas e importantes melhorias no projeto utilizando-se de ferramentas e dispositivos da metodologia de UX.

7)     Fácil. Não é porque você domina alguns métodos e entende as regras de negócio que você não terá dificuldades. Isso porque, na maioria das vezes, você não é o usuário final do sistema. Esse entendimento de quem ele é e do que deseja, por si só, já é uma tarefa e tanto.

8)     Papel de uma pessoa ou um departamento. Todos os colaboradores devem mirar num mesmo objetivo. Quando é cultura da empresa, é responsabilidade de todos.

9)     Uma disciplina. É uma interdisciplinar, capaz de integrar diversas outras em prol de um objetivo maior.

10)  Uma escolha. A escolha é se esforçar para tornar a UX positiva ou não, muito embora todas as experiências sejam passíveis de erro e não exista um projeto perfeito. Principalmente no mundo extremante dinâmico dos dias de hoje.

Em breve falarei mais sobre os processos de UX Design, a profissão, técnicas, frameworks, integrações com métodos ágeis e mais uma série de assuntos relacionados.

Espero que tenham gostado.

Grande abraço e até a próxima!

 

Algumas boas referências:

 

Concrete Solutions 2010 Todos os direitos reservados